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O que é Terapia Cristã?

  • 2 de fev.
  • 4 min de leitura


Uma abordagem clínica, bíblica e não espiritualista


Durante muitos anos, falar sobre fé dentro do cuidado emocional foi sinônimo de simplificação. Ou a fé era usada como resposta pronta para dores complexas, ou era completamente descartada como algo incompatível com o pensamento clínico. No meio desse impasse, milhares de pessoas ficaram sem lugar: sofriam, criam em Deus, mas não encontravam um espaço seguro onde sua fé e sua saúde mental pudessem ser tratadas com maturidade.


Foi nesse vazio clínico, teológico e humano que nasceu nossa abordagem em terapia cristã.


Desde 2006, nós, Rodrigo e Marina Santinelli, temos nos dedicado ao cuidado de pessoas em sofrimento emocional profundo. Ao longo desses anos, acompanhamos histórias marcadas por ansiedade, depressão, culpa excessiva, conflitos conjugais, dependência emocional, abuso moral e, de forma recorrente, abuso religioso. Pessoas que não estavam apenas feridas por suas histórias pessoais, mas por discursos que transformaram Deus em vigilante, a fé em ameaça e o desejo humano em algo essencialmente condenável.


A partir dessa escuta clínica continuada e não de uma construção teórica distante da prática percebemos que algo precisava ser dito com clareza: terapia cristã não é espiritualização do sofrimento.


O que terapia cristã não é


Antes de explicar o que entendemos por terapia cristã, é necessário delimitar o que ela não é.


Terapia cristã não é aconselhamento pastoral disfarçado de clínica.

Não é o uso de versículos bíblicos como técnica terapêutica.

Não é a tentativa de corrigir sintomas emocionais por meio de culpa, medo ou promessas espirituais.

Não é repressão do desejo em nome de uma moral religiosa.


Ao longo de milhares de horas de atendimento, vimos o quanto estratégias espiritualistas mesmo bem-intencionadas funcionam muitas vezes como mecanismos de recalque. A dor não é elaborada, apenas silenciada. O conflito não é compreendido, apenas moralizado. O sintoma some por um tempo, mas retorna de outra forma, geralmente mais intenso.


Quando o sofrimento humano é tratado apenas como falta de fé, o sujeito não é cuidado ele é responsabilizado por adoecer.


A fé como camada real da vida psíquica


Nosso ponto de partida é simples, mas exige responsabilidade: é impossível descartar a fé da vida psíquica de uma pessoa que crê. A fé estrutura valores, produz sentido, organiza a culpa, o desejo, o ideal de eu e a relação com a própria história. Ignorar essa camada é produzir uma escuta incompleta.


Ao mesmo tempo, absolutizar a fé como resposta para tudo é igualmente adoecedor.


Por isso, nossa abordagem não mistura psicanálise com Bíblia, mas promove um diálogo técnico entre teologia bíblica e clínica. Cada campo mantém sua integridade, seus limites e sua linguagem própria. A teologia não vira técnica terapêutica, e a clínica não se submete a dogmas religiosos.


Esse diálogo cria uma quarta via de observação, onde a fé não ocupa o lugar de superego punitivo, mas pode ser elaborada simbolicamente, ressignificada e integrada à história do sujeito de forma madura.


Culpa, desejo e condenação: uma dor recorrente


Uma das queixas mais frequentes que escutamos em clínica é a sensação de estar “sujo”, “condenado” ou “em dívida com Deus” por causa de pensamentos, desejos ou escolhas. Em muitos casos, não há um conflito ético real, mas uma construção interna de culpa produzida por discursos religiosos abusivos.


A psicanálise nos ajuda a compreender como o desejo, quando não pode ser simbolizado, retorna como sintoma. A teologia bíblica, quando bem compreendida, nos lembra que a fé não foi revelada para anular o humano, mas para redimi-lo.


O problema surge quando a religião é usada como ferramenta de controle, e não como espaço de encontro com o sentido. Nesse cenário, Deus deixa de ser referência de amor e passa a funcionar como um fiscal interno, constantemente acusador.


Nossa prática clínica não busca retirar a fé do paciente, mas ajudá-lo a diferenciar Deus das imagens adoecidas que foram construídas em nome d’Ele.


Experiência clínica e resultados reais


Ao longo de quase duas décadas de atuação, acumulamos milhares de horas de atendimento com pessoas que chegaram emocionalmente fragmentadas e, aos poucos, puderam reconstruir sua relação consigo mesmas, com o outro e com a fé.


Casamentos sustentados pelo medo deram lugar a vínculos mais livres e responsáveis. Pessoas aprisionadas à culpa religiosa aprenderam a pensar, desejar e decidir sem pânico espiritual. Vítimas de abuso moral e religioso puderam nomear suas dores e recuperar a própria autonomia subjetiva.


Esses resultados não vieram de fórmulas prontas, mas de um trabalho clínico sério, ético e profundamente comprometido com o cuidado integral do ser humano.


Uma proposta madura de cuidado


Nossa abordagem em terapia cristã nasce do compromisso com a saúde mental, com a teologia bíblica bem interpretada e com a dignidade da experiência humana. Não prometemos respostas fáceis, nem alívios mágicos. Oferecemos escuta, elaboração, responsabilidade e reconstrução de sentido.


Acreditamos que fé e saúde emocional não precisam estar em conflito. Quando tratadas com seriedade, elas podem dialogar não para controlar o sujeito, mas para ajudá-lo a existir de forma mais inteira.


Talvez a pergunta mais importante não seja se alguém tem fé suficiente, mas como essa fé está operando dentro de sua história psíquica.


E é exatamente aí que a terapia cristã, entendida de forma clínica e não espiritualista, encontra seu lugar.

 
 
 

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