Como saber se um terapeuta cristão é seguro e ético
- 3 de fev.
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Critérios clínicos que protegem o paciente
Para quem busca um terapeuta cristão, a principal necessidade não é encontrar alguém que “pense igual”, mas alguém que cuide com segurança. Muitas pessoas chegam à terapia depois de experiências frustrantes ou até traumáticas em que a fé foi usada como julgamento, correção moral ou silenciamento do sofrimento. Por isso, saber diferenciar um cuidado ético de um cuidado espiritualista é fundamental.
A segurança terapêutica não depende do rótulo “cristão”, mas do manejo clínico.
1. A fé não pode ser usada como técnica
Um terapeuta cristão seguro não utiliza a Bíblia, a oração ou conceitos espirituais como ferramentas para conduzir a sessão. A fé do paciente é respeitada e escutada, mas não instrumentalizada. Quando a espiritualidade vira técnica, a clínica perde sua função e o paciente passa a ser dirigido, não escutado.
Na prática clínica observada por Rodrigo Santinelli, um dos principais sinais de risco é quando o terapeuta “responde por Deus” ou define caminhos morais no lugar do paciente. Isso produz dependência, culpa e medo não elaboração.
2. O terapeuta não ocupa o lugar de líder espiritual
Outro critério essencial de segurança é a clara diferenciação de papéis. Terapia não é pastoreio, direção espiritual ou aconselhamento religioso. Mesmo que o terapeuta tenha fé, ele não ocupa o lugar de autoridade espiritual sobre a vida do paciente.
Quando o terapeuta assume esse lugar, o paciente deixa de pensar e passa a obedecer. A clínica se transforma em correção moral e isso é antiético.
3. O sofrimento é escutado, não interpretado moralmente
Um terapeuta cristão ético não reduz sofrimento a pecado, ataque espiritual ou falta de fé. Ansiedade, depressão, conflitos conjugais e crises existenciais são tratados como experiências humanas complexas, que precisam ser escutadas e elaboradas.
Na prática da Clínica Santinelli, observa-se que pacientes se sentem seguros quando podem falar de pensamentos, desejos e dúvidas sem medo de condenação espiritual. Esse é um marcador clínico importante de um ambiente terapêutico saudável.
4. Há incentivo à responsabilidade, não à culpa
Um cuidado ético ajuda o paciente a se responsabilizar por sua história, escolhas e limites sem produzir culpa paralisante. A responsabilidade nasce da possibilidade de pensar e escolher. A culpa excessiva nasce do medo.
Quando a terapia gira em torno de “o que você deveria fazer” em vez de “o que está acontecendo com você”, o cuidado deixa de ser clínico.
5. O terapeuta respeita limites e encaminhamentos
Outro sinal claro de segurança é o respeito aos limites profissionais. Um terapeuta cristão ético reconhece quando um caso exige encaminhamento, supervisão ou outro tipo de cuidado. Ele não se coloca como resposta total para todas as dimensões da vida do paciente.
Humildade clínica é sinal de ética.
6. A fé é tratada como parte da história, não como regra
Por fim, um terapeuta cristão seguro entende que a fé faz parte da história do sujeito, não como regra a ser aplicada, mas como elemento a ser compreendido. A pergunta clínica não é “o que a fé manda?”, mas “como essa fé está operando dentro da sua experiência psíquica?”.
Essa diferença protege o paciente de abusos e devolve à fé um lugar mais saudável: o de sentido, não o de coerção.
Um cuidado que protege o sujeito
Buscar um terapeuta cristão é, muitas vezes, buscar um lugar onde a fé não seja motivo de vergonha nem instrumento de controle. A segurança clínica aparece quando o paciente pode existir com inteireza pensar, sentir e decidir sem medo espiritual.
Mais do que perguntar se o terapeuta é cristão, talvez a pergunta mais importante seja:
esse cuidado me ajuda a pensar e me responsabilizar, ou me faz sentir medo e culpa?
É nessa resposta que a ética terapêutica se revela.



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